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Plutão: conexão entre Psicanálise e Astrologia
Por Rosângela Alvarenga   

Pratico Astrologia e Psicanálise. Muitos me perguntam como concilio na teoria e na prática estes dois saberes aparentemente tão diferentes.

Foi do nascer da Psicanálise mesmo que eu peguei um atalho para pesquisar uma conexão entre as duas. A psicanálise nasceu junto com a descoberta de Plutão.

 

Estes dois vieram ao nosso conhecimento quase ao mesmo tempo (no inicio do séc. passado: Plutão foi descoberto em 1930) e lidam com elementos semelhantes: o oculto, os mistérios, a morte, treva, labirintos, sombras, transformação, etc. Enfim: há um lado obscuro e desconhecido que faz parte de todas as coisas conhecidas.

Tanto Plutão quanto a Psicanálise tratam especialmente da sexualidade. Em princípio, é a expressão do instinto de preservação da espécie, que para nós é realizado através da reprodução sexuada. Este instinto tem uma finalidade específica, um alvo, que é o parceiro do sexo oposto para que seja realizada a cópula, e assim mantido ou aumentado o número de indivíduos da mesma espécie.

Até aí, estamos pois no mesmo patamar de uma série de outros animais. Aí vem a grande diferença: o ser humano aprendeu, para mim, misteriosamente, a refletir; a sair de si e se ver de fora, olhar no espelho e não achar que é oura pessoa, mas ela mesma.

Por causa de sermos capazes de refletir, somos também capazes de perceber o imenso prazer que acompanha a realização do objetivo sexual. Por que prazer tão imenso, descrito por muitos como próximo ao êxtase espiritual, à união com a divindade? Porque, caso contrário, ninguém copularia por livre e espontânea vontade e a espécie pereceria. Simples assim. Para que tanto trabalho? Tanto gasto de energia? Uma chupeta serve para o bebê, na ausência do peito da mãe, enquanto a fome não é tão grande. Ele está satisfazendo o prazer de sugar, ligado ao instinto de sobrevivência que o leva a se alimentar, mamar, nesta fase do seu desenvolvimento.

Voltando ao prazer, o ser humano percebeu mais: que tal prazer poderia ser deslocado do objeto em si (o parceiro). Assim, nos apoderamos deste poderoso instinto para satisfazer não apenas a necessidade coletiva de preservação da espécie, mas para nossa própria e pessoal satisfação.

Para um animal, qualquer parceiro serve desde que a fêmea esteja no cio. Se qualquer parceiro servisse, ocorreria o que nós, civilizados, seria considerado incesto e poligamia, etc.

E o objeto passa por uma série de vicissitudes,

Conforme a cultura do ser humano em questão, muita coisa pode se transformar em objeto para o qual está voltada esta poderosa energia, na verdade inconsciente e incontrolada por nós: parceiros variados, dinheiro, poder, controle sobre os outros, etc. Se pesquisarmos estes outros objetos chegaremos à conclusão que a base de qualquer desejo é a mesma da sua função primária: encontrar um parceiro que consideremos dignos de nós para a reprodução, a subsequência, a descendência, o destino.

Assim, se temos mais dinheiro, poder, estudo, status social, podemos encontrar parceiros mais adequados às nossas necessidades, além do puro e simples ato sexual. Vemos então que a função de Plutão e da prática psicanalítica visa o gerenciamento desse desejo através da batalha renhida contra a autoindulgência; a entrega à busca só do que nos dá prazer, que é a raiz do nosso inferno particular.

Para isso revelam um segredo. Geralmente depois de inúmeros revezes, decepções frustrações e desilusões a consciência nos revela que só podemos controlar são nossos músculos estriados esqueléticos, ou seja, a nossa ação. Por meios diversos, forçam nossos “demônios” para a superfície da consciência; para que sejam transformados e tenham seus resíduos eliminados. Por isso, Plutão é associado com a purificação, eliminação, regeneração, transmutação, morte, fim, purgação, todas as neuroses.

Deixamos de buscar fora o que só encontraremos dentro de nós mesmos: o nosso Eu. Nunca, em hipótese alguma se deve ter como meta a obtenção do prazer. O prazer é algo que ocorre naturalmente; é uma decorrência do viver, e vem na proporção em que podemos suportá-lo. Quando nos entregamos à busca do prazer em si, chegamos a NADA, porque a função de desejar é contínua, para manter a espécie, e o objeto desejado é como a linguiça amarrada no rabo do cachorro que roda tentando mordê-la: nunca é alcançado.

A única maneira de agir produtiva então é agir como consideramos que seja o melhor para nós (o que não tem nada a ver com prazer). Assim, tudo o que fizermos é abençoado pelas energias sutis do Universo e prospera. Nossa meta é o nosso Norte, mas paz de espírito e alegria podem e devem ser realizadas aqui e agora.